(ou porque o trabalho do crítico é diferente do trabalho do pesquisador)
No último domingo, assisti a um dos mais recentes filmes de zumbis lançados, Zombie Town (2023). Achei que o filme foi muito produtivo, principalmente porque apresentou algumas novas nuances que me ajudaram a pensar ainda melhor a figura do zumbi. Minha cabeça fervilhava de ideias e um filme de uma hora e meia levou quase três para ser assistido, já que eu o pausava a cada 10 minutos para fazer alguma anotação mais longa ou desenvolver minimamente uma ideia. Nesse sentido, o filme foi ótimo para mim. Material para pesquisa!
Quando abri o Letterboxd para registrar o filme, aproveitei para olhar as críticas, como sempre faço, pensando que alguém com certeza também apreciaria tais nuances que eu havia detectado no filme. Qual não foi a surpresa ao perceber que a nota era extremamente baixa e a maior parte das críticas eram negativas. Fui pesquisar e o filme tem 1.8/5 no Letterboxd, 3.8/10 no IMDb e bem… eu nunca entendo as pontuações do Rotten Tomatoes. Isso me levou a pensar.
Porque a minha pesquisa sofreu uma mudança de rumo – enquanto na monografia e anteriormente, eu falava mais sobre os filmes e agora, na dissertação, vou falar mais do imaginário coletivo da figura do zumbi –, eu não sinto a necessidade de julgar se o filme é bom: simplesmente é ou não é relevante para mim. O que me importa é que ele represente uma interpretação mais nichada dos zumbis, uma interpretação única, um plot diferente.
Por exemplo: quando vi que o filme tinha um cinema como cenário predominante, fiquei com medo do filme ser parecido com Dèmoni I e II. Isso, eu percebo agora, é mais importante para o desenvolvimento da minha pesquisa do que perceber qualidade de montagem, fotografia, direção e outros aspectos como esses.
Isso me coloca numa posição mais isolada do que a que eu já estou: no cenário internacional dos estudos de zumbis, há pouca ou quase nenhuma pessoa na grande área da Filosofia. No cenário nacional, eu devo ser a única senão uma das únicas pessoas que fala exclusivamente de zumbis. Com o pessoal do Cinema também não interajo muito por essas diferenças que tinham passado despercebidas até então. Mas agora tudo faz sentido. Muito cinéfila para a Filosofia, muito filósofa para o Cinema.
Mas isso não é uma reclamação, apenas uma constatação sobre a natureza da minha pesquisa e do meu trabalho, que, ouso dizer, é única. O importante é tentar fazer um bom trabalho apesar de ambas as áreas – Filosofia e Cinema – me olharem meio feio.
Como eu sempre digo: segue a pesquisa!

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