Assisti Burial Ground (1981) ontem. Eu amo os zumbis italianos, de paixão. E eu estava precisando de uma dose forte de gore: nesse filme, o primeiro zumbi aparece com menos de 4 minutos rodados. Amo, me diverti horrores. Maas, como por aqui nenhum filme de zumbi é só diversão, o filme também aprofunda uma discussão que trouxe pela primeira vez na minha monografia (e depois no meu livro, comprem meu livro!): os filmes de zumbis como sublimação do desejo incestuoso.
Lá em Night of the Living Dead, o Romero bota uma família colarinho branco « chefiada » (muitas aspas) por Harry, um detestável equivocado. Blablabla, disputa territorial, afirmação de masculinidade, mortes, zumbis, mulheres catatônicas. No clímax do filme, Ben atira em Harry, que tentava roubar a arma. O homem cai escada abaixo no porão, onde sua filha, doente e contaminada, deita inconsciente sobre uma mesa. Helen, a mãe, fica no térreo ajudando Ben a conter os zumbis, prestes a invadir a casa. Quando a esposa consegue acessar novamente o porão, encontra Karen, a menina, comendo partes do cadáver de Harry (bem feito!).
Alguns pesquisadores traçam um paralelo com a realização do desejo incestuoso, à lá Freud. Em Totem e Tabu, o psicanalista posiciona o incesto como uma das proibições originais ao ser humano. Mas em Burial Ground, isso fica límpido. Michael, um garotinho (interpretado por um ator com nanismo, Pietro Barzocchini) tem um desejo sexual por sua mãe, em determinada cena, avança sexualmente em sua mãe durante um abraço.
Eu confesso que fiquei pensando que a criança era estranha desde o começo, mas não estava claro que era um ator adulto (desculpa, gente) e eu fiquei assim: « não pode ser que colocaram uma criança pra fazer essa cena, não pode ser! ». Tive até que parar o filme pra ir pesquisar, porque eu estava rejeitando completamente a obra por isso.
Logo depois, ele morre (SPOILER: o filme tem 45 anos!). Aí tem monge zumbi, outra mulher catatônica (que criativo…), um homem BURRO de dar dó, e o Michael volta no final transformado. A mãe, completamente delulu, oferece o peito pra criança-adulto-morto-vivo num discurso meio nojentinho, totalmente tabu e ela morre porque o filho zumbi arranca o seio dela no dente. Isso sim, eu diria, é a representação definitiva da realização do desejo incestuoso nos filmes de zumbis. Só a cabeça completamente depravada dos italianos pra conceber isso. De verdade. Mas eu tava torcendo pra ser esse o desfecho também, o que me faz, então, tão depravada quanto? Ainda comemorei bastante os monges zumbis, até porque estou investigando as simbologias cristãs nos filmes de zumbis.
Não tenho muitas reflexões sobre essa cena, mas vou investigar. Segue a pesquisa!

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