Stefany S. Stettler

doutoranda em Filosofia (UnB), mestra em Filosofia (PUCSP), especialista em Linguagem Cinematográfica e Audiovisual, Tanatologia, Imunologia e Microbiologia, bacharela e licenciada em Filosofia (UFPR)

dr. strangeimpostor

Or how I learned to stop worrying and love the feeling of being different

Se tem uma coisa que eu aprendi na análise é que as coisas sempre retornam, cada vez de uma forma diferente. O eterno retorno, enfim. Na filosofia, não cheguei a investigar essa questão, nem em Nietzsche, nem em Deleuze — embora eles ainda tenham lições valiosas pra me ensinar.

Semana passada um colega me indicou um livro a partir de uma pergunta direcionada que fiz. Eu reconheci a obra pois era um título que meu orientador da graduação havia me indicado, lá em 2022. Na época, não consegui ler e acabei enterrando essa referência, que ressurgiu agora, no início do doutorado (eu já ia escrever mestrado!)

Também nesse início de doutorado, notei que as minhas semanas estão parecendo curtas para o tanto de coisas a fazer. Eu tenho um artigo a escrever, tenho meus estudos de metodologia filosófica a fazer, tenho contos a criar. Além disso, tenho meu livro para ajustar após a leitura crítica. Essa semana surgiu também uma revisão inesperada, que eu precisei assumir. Isso tudo no meio de uma ruptura inesperada de um bloco de leitura.

Isso tudo gerou uma angústia gigante em mim, uma sensação de não pertencimento, de não ser o suficiente e de não merecer estar onde estou. É claro que isso foi amenizado pela amável recepção que tive no grupo de orientação e nas disciplinas do doc de maneira geral.

Essa recepção calorosa e em especial um comentário de um colega que disse que gostaria de ter feito como eu fiz — um bloco de leitura de base nas férias — soaram estranhos perto de como eu me sentia e o momento de choque, a percepção de que ninguém me via como menos do que eles, bateu de uma maneira diferente.

Deixou de ser aquele meme « eles não sabem que eu sou um fracasso » e se transformou numa sensação de que estava tudo bem se eu não tivesse as mesmas leituras, ou o mesmo background. E mais: que isso era positivo e interessante para contribuir para as discussões. O CHOQUE.

Nessa ruptura eu ainda percebi que a minha formação na graduação e no mestrado foram completamente diferentes do que a formação do doutorado será. Na graduação inteira, li, no máximo, 3 livros de filósofos vivos. No mestrado foram 2 — um pouco melhor, considerando as proporções temporais. No doutorado, um livro de 2023 já pode ser considerado velho.

Não posso dizer se o encanto de ler e discutir com quem pode treplicar enterrou esse sentimento de insuficiência. O que eu posso dizer é que percebi, talvez demasiado tarde, de que leituras e backgrounds diferentes não me tornam menos digna de estar onde estou. E isso, no meu livro, é uma vitória.

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