Stefany S. Stettler

doutoranda em Filosofia (UnB), mestra em Filosofia (PUCSP), especialista em Linguagem Cinematográfica e Audiovisual, Tanatologia, Imunologia e Microbiologia, bacharela e licenciada em Filosofia (UFPR)

A VOLTA DO POR QUE SÃO SEMPRE AS GAROTINHAS?

Hoje eu fui prestigiar meu colega e amigo Elias na sua defesa de mestrado, cuja dissertação trata do Racismo Epistêmico nos cursos de filosofia de universidades federais. Em certo momento, sua orientadora, a Profa. Dra. Megg Rayara Gomes de Oliveira (a primeira travesti negra a conquistar o título de doutora no Brasil!), comentou um trecho do texto em que o Elias cita o caso de Ruby Bridges.

Ela disse que foram vários os casos de garotinhas selecionadas para pôr fim à segragação racial nas escolas dos Estados Unidos, no contexto do fim das leis Jim Crow. A professora então fez uma pergunta que disparou meus neurônios: « Por que são sempre as garotinhas? ».

No começo dessa semana, eu fiz a mesma pergunta em um post no Instagram, abordando os casos de garotinhas que são antídotos/vacinas para a contaminação zumbi. Ou melhor, garotinhas que são zumbis mas são zumbis simbiontes, como já descrevi em vários lugares.

Eu fiz, então, o que eu faço sempre. Abri o buscador e digitei « Ruby Bridges ». Descobri que ela foi parte de um movimento muito maior, pensado para dessegregar as escolas estadunidenses. Leona Tate, Gail Etienne, Tessie Prevost (as McDonogh Three); Dorothy Counts; Elizabeth Eckford, Minnijean Brown, Carlotta Walls, Thelma Mothershed, Melba Pattillo, Gloria Ray (as garotas de Little Rock); entre outras garotinhas.

Não eram apenas as garotinhas, eu entendi. Mas era uma maioria significante de garotas. Mas sempre, sempre! as garotinhas. Isso deu um fôlego para a minha pergunta, aquela do início da semana, que não pretendo responder por completo, mas que avança consideravelmente com essas novas conexões.

Dorothy Counts caminhando para a escola recém-dessegregada – FOTO: rarehistoricalphotos.com

Se o sujeito universal pressuposto é homem (adulto!), branco, hétero, altamente e propositalmente isolado no topo do pedestal que construiu para si mesmo, faz todo o sentido do mundo que sejam garotinhas negras a despedaçar essa ilusão de superioridade. Não sem dificuldade, é claro.

Ruby Bridges do lado de cá e Melanie do lado de lá. A primeira passou no teste feito para que ela não passasse e sofreu diversos boicotes, ameaças e perseguições. A segunda desenvolveu sua subjetividade quando tudo foi desenhado para sobrepujá-la e desafiou os medos de uma sociedade moribunda. As duas demonstraram que o homem branco hermético é insignificante, ruidoso e raivoso quando vê sua exclusividade atacada.

É óbvio que precisam ser garotinhas. Eu estou com as garotinhas.

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