Muito antes, eu digo, pelo menos uns 10 anos antes de eu começar a estudar zumbis, eu jogava Left 4 Dead 2. Não tinha — continuo não tendo — muita destreza para os jogos digitais, mas era bem desestressante. Tinha uma safe room que eu amava, porque ela tinha um escrito na parede: « I miss the internet« . Na época, cheguei a tirar um print screen e postar em algum lugar (talvez o facebook? talvez o twitter [R.I.P.]? não lembro), fazendo piada de que essa claramente seria eu no apocalipse, tentando sobreviver e com saudades da internet.

Essa piada hoje me causa amargura, porque a internet foi morrendo: levaram os fóruns (tudo o que eu sei de HTML e CSS, aprendi no finado fórum By Marina), levaram os blogs e sites (e por isso também faço questão de manter esse aqui, mesmo que só 2 pessoas leiam), levaram os torrents de discos (saudações, viúvas da comunidade Discografias do Orkut; saudações, viúvas do Prog Vacas), levaram os torrents de filmes (foi por meio deles que antes dos 15 anos já tinha visto tudo do Kubrick, do Tarantino, do Lynch).
Um carrossel (eu quero TEXTO!) da Anxiety Magazine expõe como o The Pirate Bay formou uma geração de criativos, facilitando o acesso a filmes, músicas, softwares e uma caralhada de referência cultural. Isso que eu nem cheguei na aberração epistemológica que são os Modelos Estatísticos com Interface de Chat (vulgo « inteligência » artificial).
Não tem como fugir de dois pontos comuns e que tangem a minha pesquisa: The Dead Internet Theory, que postula que a internet é alimentada majoritariamente por bots e conteúdo (eu tenho um ódio dessa palavra) automatizado; o Philosophical Zombie, um experimento mental do pessoal dos estudos da consciência, que é muito usado para explicar a (falta de) consciência dos LLMs. Não precisa ler muitos textos meus pra saber o que eu acho do uso da figura do zumbi aqui.
Ou seja, um espaço lindo, criativo, variado e interativo tomado por bots sem consciência (essa parte eu concordo). Um espaço literalmente revolucionário de troca de informações e organização popular. E as pessoas que poderiam estar criando com sua próprios MÕES, terceirizam pro Chat ChuPeTex por comodidade. LLM não faz revolução. E nem você que tá perguntando pro Claude até se já tá na hora de ir mijar.
Se for pagar pra algo beber muito e falar bosta, meu pix é stef.stett@proton.me

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